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Histórico

Por GILSON CARLOS Atualizado em 06/04/16 19:42.

A UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS – UFG é uma instituição pública de ensino superior criada pela Lei n.º 3834C de 14 de dezembro de 1960 e tem como missão: “Gerar, sistematizar, e socializar o conhecimento e o saber, formando profissionais e indivíduos capazes de promover a transformação e o desenvolvimento da sociedade”. A UFG tem por objetivo produzir, sistematizar e transmitir conhecimentos, ampliar e aprofundar a formação do ser humano para o exercício profissional, a reflexão crítica, a solidariedade nacional e internacional, com o objetivo de contribuir para a existência de uma sociedade mais justa, em que os cidadãos se empenhem na busca de soluções democráticas para os problemas nacionais.

Para realizar a sua missão e alcançar os seus objetivos a UFG dispõe de cursos de graduação, especialização, mestrado e doutorado nas mais variadas áreas do conhecimento.


No final de 2014 a universidade oferecia 81 programas de Pós-graduação, sendo 53 mestrados e 28 doutorados, (4 oferecem somente Doutorado e 3 são programas em rede e/ou multi-institucionais). A maioria dos cursos tem vocação acadêmica, no entanto 8 são mestrados profissionais. Os cursos estão concentrados na Regional Goiânia, com forte ampliação nas regionais de Jatai e Catalão. Atualmente essas regiões contam com 13 programas sendo 7 programas em Catalão e 6 em Jatai (Mestrados e Doutorados da UFG, disponível em: http://prpg.ufg.br/p/6632-os-mestrados-e-doutoradosda-ufg).


Destaca-se a forte expansão dos programas de pós-graduação nos últimos 5 anos, sendo que quase 50% dos programas da UFG foram criados após 2010. Em 2013 a UFG contava com aproximadamente 3.400 alunos de pós graduação, sendo cerca de 2.300 alunos de mestrado e 1.100 alunos de doutorado. No que tange a graduação, em 2015 a UFG ofereceu 6.285 vagas em 150 cursos espalhados pelos campos de Goiânia (3.925), Jataí (1.080), Catalão (990) e Goiás (290). No início do período letivo de 2015 eram 22.899 alunos matriculados em cursos de graduação
(modalidades presencial e EaD). A universidade possui ainda 2.447 servidores técnico-administrativos e cerca de 2.653 docentes (UFG em números, disponível em: http://www.ufg.br/p/6384-ufg-emnumeros).


Os cursos da UFG são reconhecidos nacionalmente pela qualidade de seu corpo docente e pela produção científica, estes cursos destacam-se por apoiar o desenvolvimento do estado de Goiás e da região Centro Oeste, ao assumir uma formação ampla de profissionais, tendo por princípios o investimento na pesquisa e na extensão, e a observância à relevância Social como um compromisso acadêmico inalienável. Porém, passados mais de 40 anos de sua criação, a UFG ainda não contemplava um curso de graduação na área de negócios – administração, contábeis ou economia. A demanda da sociedade por esse tipo de curso, que sempre foi grande, acentuou-se com o rápido crescimento econômico do Estado de Goiás e a instalação de grandes indústrias na região. De um Estado com uma economia, outrora, baseada quase que exclusivamente na agropecuária, Goiás diversificou sua pauta e, em 2011, apenas 14,1% do PIB goiano era proveniente da agropecuária, o restante, 26,6% era da indústria e 59,3% de serviços (PIB trimestral do estado de Goiás, disponível http://www.seplan.go.gov.br/sepin/pub/pib/pibgotrimestral/pibgo3tri2012.pdf).


Na área de negócios a expectativa em relação ao desenvolvimento e a expansão da oferta de ensino, de pesquisa e extensão de qualidade em nível de graduação e pós-graduação foi ampliada, com independência administrativa e acadêmica, por ocasião da criação da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas – FACE/UFG. Essa independência foi obtida em 26 de junho de 2009 por meio da Resolução CONSUNI nº17 que desvinculou os cursos de Administração, Ciências Econômicas e Ciências Contábeis da Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos (EA/UFG) que abrigava os cursos de conhecimento relacionados ás áreas de desenvolvimento econômico desde a sua criação em 2004 e 2005. A nova unidade acadêmica da UFG passou a abrigar, em sede própria e com estrutura ampla e adequada, os cursos da área de negócios: Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas. Os três cursos foram criados nos anos de 2004 (Administração) e 2005 (Ciências Contábeis e Ciências Econômicas). Em especial, o Curso de Ciências Contábeis foi criado pela Resolução CONSUNI 10 de 31/05/2005 e começou sua primeira turma em março de 2006. Considerando a duração de 4 anos para o curso, este teve, em 2009, a conclusão de sua primeira turma de graduados em Ciências Contábeis, estando hoje em sua 15ª turma e com mais de 400 alunos matriculados nos dois turnos oferecidos.


Atualmente, a FACE/UFG conta com 52 professores e mantém os três cursos com três turmas no período noturno e duas no matutino (Ciências Contábeis e Economia), abrigando, cerca de 1.120 alunos de graduação. No entanto, a unidade também se destaca nos cursos de pós-graduação, nas modalidades lato sensu e stricto sensu, com aproximadamente 320 alunos. Em relação à quantidade de matrículas, a FACE é uma das maiores unidades acadêmicas da UFG, com destaque na qualidade e excelência dos cursos que oferece. Os cursos de graduação em administração,
ciências contábeis e economia são classificados entre os mais bem avaliados pelo Ministério da Educação (MEC) e obtiveram notas máximas nas últimas edições do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE).


A expectativa em relação ao desenvolvimento, à expansão, ao oferecimento de ensino, de pesquisa e extensão de qualidade foi ampliada com independência administrativa e acadêmica por ocasião da criação da FACE/UFG. Três fatores podem ser destacados como motivadores para a criação da nova unidade acadêmica: a necessidade de consolidar o oferecimento de cursos noturnos; a disposição da UFG em expandir suas atividades acadêmicas na área de Ciências Sociais Aplicadas e; o envolvimento da comunidade que expressava a necessidade de formação qualificada de profissionais nas áreas de administração, contabilidade e economia. Até então, esses cursos eram oferecidos apenas por instituições de ensino privadas na cidade de Goiânia e a nível de Estado, pela Universidade do Estado de Goiás (UEG) atendendo apenas cinco cidades do interior.


Além da oferta e expansão dos cursos de graduação e pós graduação lato sensu, ressalta-se os investimentos realizados na contratação de professores e qualificação do corpo docente. Graças a forte política de afastamento para titulação, no período 2010 a 2014 mais de 30 professores lotados na FACE/UFG obtiveram o título de Doutor nas três áreas do conhecimento. O retorno dos professores com o grau de Doutor possibilitou a criação dos primeiros Programas de Pós-graduação stricto sensu em nível de Mestrado da unidade acadêmica, sendo o mestrado em Administração em 2014 e o Mestrado em Economia em 2015. É digno de nota que a FACE/UFG objetiva, para 2017, criar o primeiro Programa de Doutorado na área de Administração em Goiás.


Nas atividades de extensão, a FACE/UFG tem oferecido cursos de extensão e aperfeiçoamento, alcançando tanto à comunidade interna quanto a externa, com o objetivo de contribuir com a formação para exercício da profissão contábil nas diversas áreas de negócio. Em 2014 a FACE/UFG realizou o I Congresso FACE com o objetivo de reunir profissionais, especialistas, empresários, técnicos, agentes integradores, docentes e discentes, dos cursos de Administração, Contabilidade e Economia de Goiânia e áreas a fins, para discutir a qualificação interdisciplinar, a atuação profissional e a integração individual e institucional dos inúmeros atores organizacionais. Com a participação de mais de 1000 alunos e profissionais das mais variadas áreas do conhecimento, o evento ofereceu palestras, conferências, ciclos de debates, oficinas, mesas redondas e eventos culturais. O conjunto de atividades serviu, tanto para discutir problemas, dificuldades, limites e alternativas profissionais, institucionais e sociais, quanto para promover a integração dos participantes no sentido de aperfeiçoar e consolidar as competências pessoais e profissionais. Destaca-se nesse evento a forte participação no evento de profissionais da área de contabilidade motivados pelo Conselho Regional de Contabilidade (CRC-GO), órgão que tem apoiado constantemente as atividades do curso de Ciências Contábeis.


A UFG e a FACE/UFG caminham a passos largos na busca incessante dos seus objetivos e no cumprimento de sua missão. Sua contribuição para o desenvolvimento acadêmico e científico nas áreas de conhecimento de administração, contabilidade e economia evoluiu significativamente. Somando aos esforços já realizados, a aprovação do mestrado em Ciências Contábeis contribuirá sobremaneira com a formação de profissionais mais bem qualificados e com capacidade para intervir na melhor alocação dos recursos e ampliação dos investimentos no estado de
Goiás e na região Centro Oeste. Além da formação profissional o programa contribuirá para o desenvolvimento regional, a produção e disseminação do conhecimento científico e acadêmico indispensável para a inclusão sócio econômico da população que vive na região.

A região Centro-Oeste brasileira destaca-se pelo dinamismo e expansão de atividades agropecuárias e agroindustriais responsáveis por grande parte das exportações do pais. Os avanços tecnológicos que provocaram a modernização dessas atividades evidenciam a vulnerabilidade e ao mesmo tempo irradia a necessidade de crescimento dos demais setores econômicos regionais. Em que pese a expansão da região Centro-Oeste, a economia Goiana, impulsionada pela expansão agropecuária e agroindustrial se destaca no cenário brasileiro por apresentar resultados significativos nos últimos anos.

Somente entre 2002 e 2011 o PIB goiano aumentou em 197%, passando de R$ 37 bilhões para R$ 111 bilhões. Em termos reais, a economia goiana cresceu a uma taxa média de 5,15% a.a., neste período, enquanto o Brasil, como um todo, cresceu a uma taxa média de 3,42% a.a. Entre 2010 e 2014, o PIB do Estado de Goiás obteve um crescimento real médio de 4,4% ao ano, desempenho bem superior ao nacional, que ficou em 1,6% (SEGPLAN, 2015). Resultados como esse contribuem para que o Estado se estabeleça no 9 lugar entre as economias estaduais, com participação relevante no Produto Interno Bruto Nacional, nos ramos de atividades econômicas do agronegócio, mineração, indústria sucroalcooleira, de alimentos, vestuário e calçadista, turismo, automobilística e farmoquímica (IMB, 2015; SEGPLAN, 2015).


O desenvolvimento dessas atividades tem repercussões no mercado financeiro, nas relações comerciais internacionais e no mercado imobiliário. Com isso, o papel da Contabilidade tende a ganhar maior relevância, acompanhada de maiores exigências de aperfeiçoamento de seus profissionais, para que esses possam lidar com a aplicabilidade dos avanços científicos e tecnológicos e contribuindo para a análise, o planejamento e a execução dos investimentos públicos e privados necessários para o crescimento do estado de Goiás.


A expansão e o desenvolvimento do cenário econômico Goiano vieram acompanhados também da expansão do ensino na área das ciências sociais e aplicadas. A participação da UFG nessa expansão foi imprescindível com a abertura de vagas e oferta de novos cursos de graduação na área de Economia, Administração e Contabilidade. No entanto, apesar da expansão dos cursos de graduação, a mesma não foi acompanhada pela devida oferta de pesquisas na área das ciências sociais aplicadas, bem como pela formação de professores para acompanhar a expansão do ensino superior na região.


Além das necessidades geradas pela expansão econômica da região, pela demanda por pesquisa e formação de professores, o desenvolvimento da Contabilidade nos últimos anos, especialmente com o processo de convergências das normas nacionais às internacionais, vem requerendo uma formação adequada e de qualidade que possa contribuir com tal desenvolvimento. A consolidação desse processo de convergência no Brasil afeta de modo significativo os modelos existentes de ensino e aprendizagem da Contabilidade. O profissional que atua no contexto das normas internacionais passa a demandar não só do desenvolvimento de habilidades técnicas, mas também de uma maior capacidade de julgamento e interpretação das normas e princípios aplicados às atividades econômicas financeiras. O processo de convergência conduz a Contabilidade brasileira para a necessidade de pesquisas científicas e para uma maior qualificação do profissional da área. Nesse cenário, são imprescindíveis os processos de investigação para o aperfeiçoamento do ensino e da pesquisa em Contabilidade, demandando a ampliação dos programas de pós-graduação stricto sensu.

Nesse sentido, o programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis pretende atender a demanda expressiva de bacharéis em Ciências Contábeis de IES localizadas no estado de Goiás e nos estados vizinhos: Tocantins, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, entre outros da região Norte.

Atualmente, de acordo com o Conselho Federal de Contabilidade, existem 33.533 bacharéis em Contabilidade com registro ativo nos Conselhos Regionais de Contabilidade dos estados integrantes da região Centro-Oeste e do estado de Tocantins. Só o estado de Goiás conta com 8.183 profissionais ativos, aproximadamente 1/4 do total (Quantos Somos, disponível em: http://www.portalcfc.org.br/coordenadorias/registro/cadastro/quantos_somos/.

Contribui para o grande número de profissionais em contabilidade no estado de Goiás, o fato de, além da FACE/UFG, outras 37 IES, públicas e privadas, são responsáveis pela formação de bacharéis em Ciências Contábeis. Destaca-se que esse contingente está direcionado mais para a formação técnica, o que denota a necessidade do desenvolvimento da pesquisa e formação de professores aptos a enfrentar o desafio de uma contabilidade ativa e fomentadora do desenvolvimento econômico. A gama de bacharéis formada pelas diversas IES do estado necessitam de contínuo aperfeiçoamento e qualificação. Essa qualificação, na maioria das vezes, não se concretiza por concentrar-se nas regiões Sul e Sudeste, dificultando a possibilidade de acesso, de investimentos e de recursos humanos e materiais.

Nesse sentido, a FACE/UFG se habilita a esse desafio de suprir a carência explicita dessa área do conhecimento na região. É digna de nota a estimativa de que existam atualmente em Goiás apenas 7 doutores em Ciências Contábeis; sendo todos lotados na FACE/UFG e participantes do Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis. Além disso, destaca-se que atualmente outros 5 docentes do curso de Ciências Contábeis dessa Unidade Acadêmica estão participando de programas de doutoramento. Esse contingente é acompanhado por outros 4 mestres em ciências contábeis com potencial de participação em programas de doutoramento. Estima-se que o número de mestres em contabilidade atuando no estado de Goiás não ultrapasse a 25, sendo que destes, 19 possuem vínculo com a UFG.

Pode-se inferir que a principal razão para a carência de profissionais qualificados na área de Ciências Contábeis em Goiás é a baixa oferta de cursos de mestrado e doutorado na região. Existe apenas outro curso de mestrado em Ciências Contábeis no Centro-Oeste, localizado no Distrito Federal, na Universidade de Brasília (UNB). No entanto, devido à quantidade de cursos formadores de bacharéis em contabilidade na região, esse programa não atende satisfatoriamente à demanda exposta.


Assim, espera-se que a escassez de profissionais qualificados na área de Contabilidade possa ser atenuada com a criação do Mestrado em Ciências Contábeis da UFG. Como se constata a seguir, ajulgar pelo histórico da criação dos Programas de Pós-graduação stricto sensu em Ciências Contábeis no Brasil, acredita-se que a presente proposta, se concretizada, poderá contribuir para com a descentralização e limitação do ensino na referida área.


O primeiro Programa de mestrado em Ciências Contábeis no Brasil iniciou suas atividades em 1970 na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEAUSP). Em 1978 a mesma FEA-USP criou o curso de doutorado. Também, em 1978, o segundo curso de mestrado da área foi aberto pela PUC-SP. Durante as duas décadas seguintes, nenhum outro curso de pós-graduação na área foi criado. Somente em 1998 que a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) criou o terceiro Programa de mestrado, seguido pela Universidade Alvares Penteado (UniFECAP), de São Paulo em 1999 e pela Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos), do Rio Grande do Sul em 2000. Assim, até o início do ano 2000, só existiam 5 Programas de mestrado na subárea de Ciências Contábeis e 1 de doutorado; todos localizados nas regiões Sudeste e Sul.


O primeiro Programa de mestrado fora do eixo Sudeste-Sul foi aberto somente no final do ano de 2000. Para tanto, o projeto inovador precisou da junção de esforços institucionais de quatro universidades federais – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Universidade de Brasília (UnB).


A partir do início da década de 2000 foram abertos mais 20 novos Programas. No entanto, a maioria absoluta concentrada nas regiões Sul e Sudeste; sendo apenas 1 na região Centro-Oeste, o da UnB/UFPE/UFPB/UFRN. Esse Programa teve um impacto positivo e considerável para o desenvolvimento acadêmico da região, especificamente para o curso de Ciências Contábeis da FACEUFG. Observa-se que dos 9 professores doutores deste curso 3 cursaram mestrado e 1 doutorado neste Programa; ainda, dos 5 professores doutorandos, 2 cursaram mestrado e entre estes 1 está cursando doutorado neste Programa e o quadro de docentes do curso de Graduação em Ciências Contábeis da FACE/UFG é composto por mais 4 professores, todos com mestrado no Programa UnB/UFPE/UFPB/UFRN.

Neste cenário, a criação de um Programa de mestrado na FACE/UFG pode contribuir, entre outros aspectos, para a disseminação e democratização do conhecimento relacionado à área de contabilidade, para com a ampliação da formação de docentes e pesquisadores compromissados com a melhoria do ensino, da pesquisa e da extensão em Goiás e estados vizinhos. Além disso, a criação de um curso de Pós-Graduação stricto sensu em uma instituição da região Centro-Oeste pública e gratuita permite a formação de profissionais e a realização de pesquisas com o perfil regional o que contribuirá para o desenvolvimento de toda a região.

 

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